Home PG News Carnaval: você sabe diferenciar paquera de assédio?

Carnaval: você sabe diferenciar paquera de assédio?

Combinação entre festas, bebida e multidão aumenta casos de assédio.

Reprodução/Instagram @naoenao_

Ao mesmo tempo em que se preparam para curtir os bloquinhos, outra preocupação passa pela cabeça das mulheres: o assédio.

Na diversão da folia carnavalesca, mulheres lidam com situações de assédio justificadas por agressores como “apenas uma paquera”. Quantas vezes você já viu alguém defender um abuso dizendo que foi uma simples cantada? Reflita. O Carnaval é uma época capaz de trazer diferentes tipos de assédio, por isso, é preciso entender quais são os limites entre a paquera e o assédio.

Nessa época do ano, qualquer ato “vira um convite” e torna o carnaval perigoso para as mulheres, porque ele tira essa liberdade de “fazer/ser o que quiser” que nós temos (ilusoriamente).

No carnaval, na balada, em qualquer época do ano, as histórias são iguais: Quando mulheres se recusam a ficar com homens, eles começam a insultá-las com palavrões ou aproximam se, querendo intimidá-las. Uma outra saída que mulheres infelizmente utilizam bastante é a do “eu já tenho namorado” como uma escapatória para o assédio, mas os homens costumam perguntar onde está a aliança, como ele a deixou sair sozinha ou até mesmo quando estão acompanhadas de verdade, pedem desculpas para o parceiro mas quem merece as desculpas É A MULHER.

Paquera x Assédio: entenda a diferença. Imagens/Reprodução internet.

É PAQUERA OU ASSÉDIO?

O jornal Estadão Online publicou em Fevereiro do ano passado uma conversa que fizeram com youtubers que produzem conteúdo sobre empoderamento feminino. Eles apresentaram sete hipóteses e pediram que elas dissessem: é paquera ou assédio?

O homem me abraça enquanto estamos ‘trocando ideia’ no bloquinho:

Luci Gonçalves: “Se ele não tem intimidade com você, é assédio”.

Maíra Medeiros: “Se a mulher não quiser ser abraçada, ela tentar se soltar e o cara insistir é assédio. Se ela retribuir o abraço, não é”.

O homem puxa meu cabelo como forma de chamar minha atenção:

Luci Gonçalves: “Assédio. Seu corpo é seu e isso é um ato muito violento”.

Maíra Medeiros: “Assédio e violência contra a mulher”.

O homem pega pela cintura como forma de chamar minha atenção:

Luci Gonçalves: “Assédio. Bem característico. Não precisa tocar pra chamar atenção de ninguém”.

Maíra Medeiros: “Assédio”.

O homem pega na minha mão enquanto estamos conversando:

Luci Gonçalves: “Assédio. Não tem necessidade de encostar sem antes perguntar se pode”.

Maíra Medeiros: “Se a mulher não retirar a mão e não evitar o toque, não é assédio”.

O homem pede meu telefone enquanto estamos conversando:

Luci Gonçalves: “Ótima forma de avançar na paquera e ter chances de se estender para outros bloquinhos ou quem sabe para depois do carnaval”.

Maíra Medeiros: “Não é assédio”.

O homem tenta colocar a mão por baixo da minha roupa enquanto conversamos:

Luci Gonçalves: “Assédio. Não tem nem desculpa, errou feio, errou rude!”.

Maíra Medeiros: “É assédio e tentativa de estupro, inclusive”.

O homem puxou assunto por causa da minha fantasia:

Luci Gonçalves: “Se ele não sexualiza seu corpo, pode ser um ótimo jeito de começar uma paquera”.

Maíra Medeiros: “Se ele não estiver de alguma forma tentando usar a fantasia da mulher pra justificar que ela deve ser ‘fácil’ ou qualquer coisa assim, não é assédio”.

Denuncie

Puxar pelo braço, segurar o rosto, tentar beijar à força, insistir em beijar depois do “não”, puxar o cabelo, chegar dançando por trás, encostar muito sem necessidade nenhuma… Enfim, quantos assédios cabe em um bloquinho? Saiba reconhecê-los e denunciá-los.

Se você presenciar nesse carnaval algum ato estranho com mulheres que você não conhece, tente se aproximar e perguntar se ela precisa de ajuda. Utilize frases do tipo: “Nossa amiga, ainda bem que te achei”, “Está tudo bem?” e “A galera está te esperando, vamos?” e tente tirá-la de qualquer situação abusiva.

Paquera é quando a cantada te agrada, te faz sorrir e, acima de tudo, te respeita. Se ultrapassou o “não” ou nem te deu a chance de dizê-lo, é tudo assédio

Deixe um comentário

Por favor insira seu comentário!
Como gostaria de ser chamado?

Mais Populares

Artigos Comentados

Henrique Vieira Rodrigues da Silva on O futuro do transporte público de Praia Grande
Esther Zancan on Quanto vale seu tempo?
Rafa Purps on Quanto vale seu tempo?
Carlos Alberto Rios Fernandes on Com quantos seguidores se faz um influenciador?