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Como é trabalhar nas Olimpíadas? A ALMA PG esteve no backstage dos jogos em Tóquio e contamos tudo para você.

Imagine poder trabalhar no maior evento de esportes do mundo? Entrevistamos um holandês que tem alma (e esposa) brasileira e tiramos todas as dúvidas de como o mundo mágico das Olimpíadas funciona.

Peter De Visser, um holandês casado com uma brasileira, trabalha com transmissão de eventos esportivos pelo mundo inteiro. Perguntamos tudo o que acontece no backstage de um evento desse porte. Ele ainda continua no Japão para a cobertura dos jogos Paraolímpicos. (PS: Ele adora os produtos da marca OCIAN que é aqui de Praia Grande, sigam a marca também!)

Visão da equipe de transmissão durante a cerimonia de premiação do ouro da brasileira Ana Marcela Cunha.

ALMA: Como é trabalhar nas Olimpiadas?

Peter: Trabalhar nas Olimpíadas é um sonho que se torna realidade, pois faço parte do maior evento de esportes mundo, e o que eu mais gosto é poder trabalhar com pessoas de todo o mundo. Por exemplo, no meu local onde transmitimos triátlon e natação, trabalho diretamente com: um brasileiro que é Gerente Local de Transmissão, um brasileiro que é Gerente de Logística Local e outro brasileiro que é Gerente Técnico Local, entre outros profissionais de vários lugares do mundo. Todos os cinegrafistas da minha estação de trabalho são espanhóis e todos os equipamentos com que trabalhamos são de uma empresa chamada NEP e vêm de Pittsburg, EUA.

ALMA PG: Esta é sua primeira Olimpíada? Já trabalhou em outro evento desse porte, como a Copa do Mundo?

Peter: Esta é minha primeira Olimpíada, onde trabalho para uma empresa chamada OBS (Olympic Broadcast Services) e também a primeira vez em um cargo de gestão. Antes disso, fiz vários grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo no Brasil (2014) e na Rússia (2018), e também os campeonatos mundiais de atletismo em Berlim (2018).

ALMA PG: Quantas pessoas e quantas câmeras são necessárias para transmitir as Olimpíadas?

Peter: Esta é uma boa pergunta porque aqui eu realmente vejo o quão grande é este projeto. Aqui estão alguns números: 1.049 câmeras, 210 câmeras de slow motion, 250 mini câmeras (para colocarmos em lugares onde as câmeras regulares não cabem), 145 câmeras sem fio (para motos, helicópteros e barcos), 18 câmeras de cabo (aquelas que ficam penduradas por dois cabos para dar imagens panorâmicas), 37 câmeras crane (que dão impressão que a câmera está voando) e 3.600 microfones. São 11 mil pessoas de todo o mundo contratadas pela OBS em cada Olimpíada. A OBS também contrata 1.200 alunos locais para um programa especial de treinamento em transmissão audiovisual.

Peter usando máscara OCIAN em um dos dias de transmissão do estádio de atletismo.

ALMA PG: Um canal de TV pode ter sua própria câmera nas Olimpíadas? Aqui no Brasil tem a Globo, o nosso maior canal de TV. Eles sempre dizem que tinham sua própria câmera nas transmissões, mas isso é possível?

PETER: Sempre é possível um país ter suas próprias câmeras nos Jogos Olímpicos. A OBS é criada para ser uma central de transmissão, de modo que sempre se certificará de que tudo seja mútuo, para OBS não há favoritos e todos podem receber todas as imagens. Neste caso, a GLOBO terá acesso ao material da OBS e, se desejar seguir um atleta específico, a câmera da GLOBO pode acompanhar esse atleta o quanto quiser. Acontece muito de países enviarem 1 ou 2 câmeras para as Olimpíadas também para obter entrevistar na sua própria língua.

ALMA PG: Quantos países assistiram as Olimpíadas?

PETER: Para esta Olimpíada de Tóquio, há mais de 200 países em todo o mundo capazes de assistir as Olimpíadas ao vivo.

ALMA PG: Qual é o impacto do COVID nas transmissões dos jogos?

PETER: O impacto do COVID é claramente visível simplesmente pelo fato dos fãs não poderem entrar em Tóquio e torcer por seu atleta favorito, na verdade nem mesmo os habitantes locais podem entrar nos locais para desfrutar os Jogos Olímpicos que se realizam no seu país.

ALMA PG: Recentemente, Christian Eriksen, um jogador de futebol dinamarquês, teve um ataque cardíaco no campo. E claro, as câmeras transmitiram alguns pontos até iniciarem a massagem cardiorrespiratória. Nas Olimpíadas, tivemos algumas lesões, infelizmente. Como se deve lidar com essas situações, por exemplo, um braço ou uma perna quebrada?

PETER: Este é sempre um assunto difícil…. Na verdade, tudo depende do diretor e do tamanho da lesão. No caso de um osso quebrado, acho que você deve mostrar para às pessoas o que aconteceu e que pode acontecer a qualquer pessoa a qualquer momento. Mas, no caso de pessoas que precisam de RCP (ressuscitação cardiopulmonar), tenho certeza que isso nunca será transmitido durante as Olimpíadas.

ALMA PG: E sobre manifestações políticas? Os japoneses lutaram muito para não ter as Olimpíadas em 2021 por causa do COVID.

PETER: Como o lema das Olimpíadas é para todos, eles não se envolvem em nenhuma manifestação política e não transmitem nada disso. Acontece o mesmo quando alguém pousa com um paraquedas em uma estádio de futebol … você pode encontrá-lo nas redes sociais, mas não na TV ao vivo.

Jornalista responsável pela entrevista: Matheus Doncev (MTB 0087542/SP)

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