Home PG News Como voltar a ser você mesma e o que realmente isso significa?

Como voltar a ser você mesma e o que realmente isso significa?

Depois de passar nove meses gestando e outros cinco de licença maternidade, as mudanças físicas, emocionais e de comportamento são tantas que a grande dúvida que pode surgir na mulher/mãe é se voltará a ser quem era antes de assumir esse novo papel? Como será voltar ao trabalho, a vida amorosa, vida social, familiar e como será sua relação com esse novo corpo e mente? São tantas dúvidas, mas ao final, tudo acaba dando certo. Como foi com você?

Ao dar a luz a mulher descobre diversas características pessoais que muitas vezes não tinha identificado ou desconhecia. Ficam mais fortes, mais cautelosa, mais emotivas, mais corajosas, entre outras coisas. Porém, nesse turbilhão de emoções e descobertas, se sente um pouco perdida quanto a quem realmente é agora que virou mãe.

Em alguns casos, nas primeiras semanas (às vezes por meses até) a mulher se dedica única e exclusivamente para o bebê, afinal de contas, eles não vêm com manual. É muita informação para assimilar, nem tudo que leu ou ouviu na teoria funciona na prática, precisa adaptar a rotina agora aos cuidados com o recém-nascido (se tiver outros filhos então, haja chazinho para acalmar os nervos), e muitas vezes marido, vida profissional, família e amigos acabam ficando em segundo (terceiro, quarto…) plano.

E isso é considerado fisiológico porque até o corpo da mulher está agora funcionando para alimentar o bebê, vencer o sono, se adaptar a ausência do feto, com os órgãos voltando – literalmente – para seu devido lugar, muitas sofrem de anemia ou “baby blues”, mais conhecida como depressão pós-parto, entre outras situações. Justamente por isso que a mulher passa pelo puerpério, popularmente conhecido como resguardo ou quarentena, período de aproximadamente 40 dias de recuperação após dar à luz (e essa recuperação não é só física, mas emocionante principalmente)

E por mais que fisicamente até parece que a mulher está “ótima” nem sempre é o que acontece. Lembro que após o parto da minha primeira filha eu queria ser a simpática de sempre (apesar de estar cheia de pontos vocês sabem onde, afinal o parto foi normal, com ajuda de fórceps), recebi grupos grandes de amigos e familiares com um sorriso no rosto e tentando não parecer que tinha uma bexiga murcha no lugar da barriga, enquanto na verdade eu queria mesmo passar os dias deitada (com as pernas abertas), lendo e cuidando daquele ser que me sugava a cada duas horas.

Passado esse período, chegou então outro mais assustador: ter que voltar a trabalhar (pelo menos para mim que era bastante insegura). Como quem leu as colunas anteriores sabe, eu tinha acabado de começar na carreira como jornalista quando engravidei, então meu maior medo era pensar que poderia perder aquela oportunidade ou então que não saberia colocar em prática tudo que levei quatro anos estudando e quase dois trabalhando. Sem contar que agora eu tinha que enfrentar o desafio de mostrar para o mundo que eu continuava querendo muito ser a mesma profissional de sempre, apesar de sentir o cheiro do cocô da minha filha em meio ao expediente, o peito vazar logo que voltei e ter que levar ela ao médico pelo menos uma vez ao mês. Ufa! Cansa até lembrar!

A vida amorosa também precisava voltar ao normal (isso mesmo, eu tinha que voltar a ter relações sexuais com o pai da criança). Mas como fazer isso após parir? Será que após 40 dias o aparelho reprodutor tinha voltado ao normal (porque meus seios e minha líbido com certeza ainda não)? Porém, como após perder a virgindade, a primeira transa após o parto foi meio estranha, mas depois tudo voltou ao normal (menos o teimoso do meu peito).

No trabalho foi ainda mais fácil, porque eu já trabalhava no Jornal Gazeta do Litoral e aqui as mamães e seus bebês têm tratamento VIP, com cobranças, claro, mas também com muito carinho. Meus colegas de trabalho foram incríveis e a chefia então, nem se fale, um verdadeiro amigo/irmão.

Ao voltar a trabalhar, a sair com os amigos, sair com o companheiro da época sem a bebê e até mesmo sair sozinha, na minha melhor companhia, todo aquele medo inicial de que nada mais seria igual e poderia virar um desastre passou e eu descobri algo que sempre digo para as gravidinhas que me cercam: nada mais será igual a antes, vai ficar ainda melhor.

Quando a mulher vira mãe, independente se trabalha fora ou em casa, se muda de amizade, de emprego, de cidade, ela se torna melhor em diversos aspectos. A mulher/mãe/profissional, por exemplo, é muito mais versátil e criativa na busca por soluções e ideias do que era antes, afinal de contas ela passou um bom período tendo que amamentar, cozinhar, atender o telefone, lembrar de pedir o gás e fazer lista do mercado, tudo ao mesmo tempo ou quase.

Então respondendo a pergunta do título: Como voltar a ser você mesma e o que realmente isso significa? Você jamais voltará à sua antiga versão por completo após ser mãe, mas terá o prazer de descobrir uma versão avançada, muito melhor, de você mesma. Ah, apaixone-se por essa nova versão. E caso não goste de algo que foi adicionado, mude. Enquanto existe vida, existe mudança. Essa é a magia toda!

Até a próxima!

Carmem Sanches

#maede3

Deixe um comentário

Por favor insira seu comentário!
Como gostaria de ser chamado?

Mais Populares

Artigos Comentados

Henrique Vieira Rodrigues da Silva on O futuro do transporte público de Praia Grande
Esther Zancan on Quanto vale seu tempo?
Rafa Purps on Quanto vale seu tempo?
Carlos Alberto Rios Fernandes on Com quantos seguidores se faz um influenciador?