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Empreendedora, que se alimentava de restos de comida, hoje alcança o sucesso no ramo de doces

Foi entre os altos e baixos da vida, que Patrícia Falci, de 41 anos, se firmou como uma incrível empreendedora no ramo de doces. Natural da cidade de São Paulo, ela buscou um recomeço de vida em Praia Grande, mas precisou enfrentar grandes obstáculos antes de conquistar o sucesso na carreira.

Aos 24 anos, com uma filha de apenas 6 anos de idade e o ex-marido, ao seu lado, Patrícia decidiu iniciar uma nova jornada, agora na cidade de Praia Grande. Aqui, se instalou em uma casa que a família tinha e passou a fazer doces para sobreviver. Mas a necessidade e a fome era tanta, que ela se viu sem escolhas e recorreu às sobras de peixe, da peixaria local (atualmente o Mercado de Peixes da Ocian), para alimentar sua família.

Sob a desculpa de que seria para o seu cachorro, a doceira sobrevivia dos restos de comida do local, até que Jeová Santana – um comerciante do estabelecimento – descobriu o verdadeiro destino daqueles restos: a própria mesa de jantar de Patrícia. A partir desse momento, a empreendedora não ganhou apenas um suporte, mas uma família adotiva que se sensibilizou com a sua história de vida.

“A gente passava necessidade, então o que acabava alimentando eram os restos de comida da peixaria. Mas quando ele descobriu que aquilo era para nós, nos tornamos amigos íntimos, e ele começou a levar peixe lá em casa para a minha família comer.”, enfatizou Patrícia.

Família de comerciantes que estendeu a mão á Patrícia no início de sua jornada. (Foto: Arquivo Pessoal)

Dessa forma, começou vendendo pão de mel e trufa para os comércios, no formato de consignação. A mesma peixaria local, inclusive, buscou sempre auxiliar a doceira, que oferecia suas sobremesas para os comerciantes dali, enquanto se escondia – atrás dos balcões – dos fiscais da prefeitura.

Após toda essa cumplicidade entre a empreendedora e a família dona da peixaria, as coisas começaram a melhorar. A amizade entre Patrícia e a esposa do comerciante, que a ajudou no começo de tudo, rendeu ótimos clientes para a confeiteira, fazendo com que ela percebesse que era a hora de expandir a variedade das sobremesas que fazia. Assim, começou a produzir também ovos de páscoa, que fizeram sucesso imediato, obrigando a doceira a confeccionar algo maior ainda: bolos.

“Uma cliente minha, Dona Marlene, que me incentivou a fazer o primeiro bolo para as vendas. Ela gostou muito do resultado e, desde lá, não parei de produzir.”, acrescentou.

Esse avanço nas vendas encantou seu pai, que prontamente se prontificou em ajudá-la com um investimento para abrir uma loja física, com o nome de ‘Patrícia Doces’, no bairro Vila Mirim. O sucesso foi tanto que as filas não se continham dentro do estabelecimento e acabavam por dobrar a esquina da rua. Assim, ela abriu mais uma unidade na Cidade, que não se manteve por muito tempo, pois devido a alguns problemas pessoais, acabou perdendo grande parte do seu negócio, ficando afastada – das cozinhas – por cerca de 6 meses.

Imagem antiga da unidade ‘Patrícia Doces’, localizada na Vila Mirim, em Praia Grande. (Foto: Arquivo Pessoal)

Ela tentou abrir uma nova loja, com o nome ‘Lulu Confeitaria’, mas não garantiu o mesmo sucesso anterior. Entretanto, na mesma época, Patrícia conseguiu retomar seus serviços com a unidade da Mirim e acabou se desfazendo da ‘Lulu Confeitaria’, já que a ‘Patrícia Doces’ que era a unidade matriz de todo esse processo.

Essa nova fase da vida de Patrícia trouxe o Edson, seu atual marido, que sempre deu o suporte necessário para que ‘Patrícia Doces’ alcançasse o triunfo novamente. Assim, as dívidas começaram a ser quitadas e os clientes se tornaram fregueses fiéis à doceira, que procurou sempre modernizar o estabelecimento e melhorar o seu processo de produção. Afinal, eram cerca de 10 mil salgados por semana, e a empresária se viu obrigada a investir em mais maquinários para a cozinha.

Patrícia ao lado de seu marido Edson, que a acompanhou nessa luta e deu o suporte necessário. (Foto: Lucas Viveiros)

Mas com a chegada da pandemia da COVID-19 e – por consequência – o LOCKDOWN, ‘Patrícia Doces’ sofreu reflexos negativos dessa crise. Por ter como diferencial as tão imediatas produções de salgados e doces para festas (encomendas feitas no mesmo dia que ficam prontas no mesmo dia), a doceira sentiu uma “esfriada” em suas vendas. Ao invés da produção em grande escala, Patrícia precisou se adaptar à produção individual, que não gerava uma mesma margem de lucro para a empresa.

E mesmo com mais obstáculos pelo caminho, a empreendedora não se abalou e – novamente – precisou se reinventar, migrando para as redes sociais e fortalecendo ainda mais sua imagem no Instagram. Além disso, também adotou o sistema de delivery para que a pandemia não comprometesse tanto as suas vendas.

Contras as estatísticas, ela resolveu abrir, em junho de 2021, uma nova unidade ‘Patrícia Doces -situada na Rua São Bernardo, n.: 60, no bairro Boqueirão. Entretanto, devido à pandemia, a documentação sofreu atrasos e os planos da doceira ficaram estagnados por alguns meses, mas nem isso a amedrontava.

“Não tenho medo de nada mais. Se eu tiver que perder tudo e voltar pra minha casa eu volto.”, afirmou a empreendedora.

Hoje, Patrícia se mantém com as suas duas unidades abertas (Mirim e Boqueirão) e prontas para receber seus clientes tão fiéis. E para quem acha que ela se contenta apenas observando todo o processo de produção de doces, saiba que está enganado. De acordo com funcionários e família, a empreendedora sempre está com as “mãos na massa”, produzindo e confeccionando doces e salgados – sempre que necessário.

Nas redes sociais das lojas @p.doces, é possível ter um spoiler das gostosuras que são feitas dentro das cozinhas da ‘Patrícias Doces’, mas só vendo com os próprios olhos – e experimentando um pedacinho – que é possível sentir tamanha qualidade dos produtos.

Patrícia segurando um dos primeiros doces que fez para vender: seu incrível e tão famoso pão de mel. (Foto: Lucas Viveiros)

Coincidentemente, nesse último mês de novembro, comemorou-se o Dia do Empreendedorismo Feminino, e nada melhor do que uma história inspiradora como a de Patrícia para fortalecer a ideia de que o empoderamento feminino não é só real como necessário. Mesmo com todos os altos e baixos, a confeiteira nunca desistiu dos seus sonhos. Toda experiência dos desafios que enfrentou deu forças para que a empreendedora se tornasse não só uma incrível profissional, mas alguém que motiva e dá esperanças às pessoas próximas a ela.

Texto por: Peter Nardotto

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