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Mesmo com uma queda nos números de mortes violentas de LGBT+ em 2019, Brasil segue como campeão mundial de crimes contra essa população

Homofobia mata!

Segundo o relatório anual elaborado pela ONG Grupo Gay da Bahia (GGB), o ano de 2019 teve uma redução de 22% nos casos de mortes violentas de LGBT+ no país, em comparação com o ano anterior. Foram 329 casos, sendo 297 de homicídios e 32 de suicídios. Comparando com 2017, que foi o ano em que se registrou o recorde de 445 mortes, a diminuição foi de 26%.

Mesmo com a queda no número de casos, a verdade é que o Brasil segue como o campeão mundial de crimes contra essa parcela da população. Para efeito de comparação, a cada 26 horas, um LGBT+ é assassinado ou comete suicídio por causa da homofobia (ou LGBTfobia). É assustador perceber que o Brasil consegue ultrapassar até os números de mortes de países da África e Oriente Médio, onde existe pena de morte para esse segmento da sociedade.

As 329 vítimas de 2019 se dividem da seguinte maneira: 174 eram gays, 118 travestis e transexuais, 32 lésbicas e 5 bissexuais. Apesar do número de vítimas gays ser maior, o estudo aponta que, proporcionalmente, as pessoas trans são as mais vulneráveis. Estima-se em 1 milhão a população de trans e travestis, logo, o risco de elas serem assassinadas é 17 vezes maior que um gay.

Sobrevivência

Apesar de 2019 ter registrado uma queda no número de mortes, isso na prática não significa que a sociedade vem evoluindo nessa questão. Muito pelo contrário. Luiz Mott, fundador do GGB e doutor em antropologia, diz no estudo que a explicação mais plausível para essa diminuição é a atitude de cautela dos segmentos LGBT+ diante do “persistente discurso homofóbico do Presidente da República”, e também de seus apoiadores, principalmente nas redes sociais.

Mott equipara esse comportamento preventivo e de desenvolvimento de estratégias de sobrevivência a mesma atitude tomada pelos LGBT+ no auge da epidemia de AIDS e também agora na pandemia do novo coronavírus.

Suicídio

O estudo do GGB também chama a atenção para os casos de suicídios entre LGBT+. Os dados nesse tipo de situação são de difícil apuração, até pela ética jornalística que opta pela não divulgação de suicídios. O relatório localizou os casos por meio de informações em redes sociais de parentes e amigos das vítimas. Eles servem mais como um alerta para a existência do problema e da necessidade da ampliação do debate sobre a vulnerabilidade dessas pessoas.

Uma teoria chamada “Minority Stress” (estresses de minorias, em português) ajuda a explicar um pouco o que acontece com a comunidade LGBT+. A teoria propõe que as situações de estresse crônico que as minorias sofrem durante toda a vida, que acontecem devido a episódios de não aceitação, discriminação, rejeição, violência e o próprio estigma, são um risco para a saúde física e mental desses indivíduos. Ansiedade, depressão e maior risco de suicídio podem ser as consequências, apontam estudos.

Na pesquisa do GGB, nota-se que a faixa etária mais suscetível a suicídios é a de 14 até 34 anos. Dentre as 32 vítimas contabilizadas pelo GGB, pouco mais de 40% eram dessa faixa.

Para quem quer se aprofundar mais no assunto, vale dar uma olhada no relatório completo do GGB (https://grupogaydabahia.com.br/relatorios-anuais-de-morte-de-lgbti/). No final do estudo de 2019, há também o “Manual de Sobrevivência Homossexual”, com dicas para evitar situações de violência.

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