Home Namaste Pare de se cobrar! É normal não ser produtivo durante a pandemia

Pare de se cobrar! É normal não ser produtivo durante a pandemia

Desde que a pandemia nos deixou mais isolados em casa, a internet vem sendo a grande salvação do momento. Há um ano atrás, lá no início de todo esse caos chamado covid-19, tivemos uma epidemia também nas redes sociais, com milhares de lives e criações da web que antes não tinham tanta visibilidade.

Uma enxurrada de cursos online foi disponibilizada na web; uma infinidade de aulas de ginástica, yoga e autoajuda invadiu as casas daqueles que permaneciam em isolamento social. Naquele período inicial de pandemia, eram tantas ofertas de atividades que parecia ser impossível ficar entediado ou deprimido.

Naquela época, me matriculei em vários cursos e treinava em casa todos os dias. Fui acumulando atividades que pudessem preencher o vazio de um tempo livre cheio de medo e confusão. O trabalho estava totalmente paralisado e o medo de perder a produtividade era grande.

Só que aquele monte de atividades, geralmente postada nas redes sociais como forma de incentivo ou exibicionismo – temos os 2 casos – parou de fazer sentido a medida em que os dias se arrastavam. Já não tinha mais tanta vontade de estudar, treinar ou seja lá qualquer coisa que fosse considerada produtiva. 

O tempo passava cada dia mais devagar e eu só torcia pra que o relógio marcasse logo um horário aceitável para que eu pudesse ir pro quarto deitar. Mesmo assim, acordava cedo e tentava ‘render’ bastante no período da manhã, porque já sabia que quanto mais tarde ficava, menos energia eu tinha pra fazer qualquer coisa.

E lá veio a culpa por não ter mais vontade de fazer mil cursos, especializações, treinos incríveis e projetos a longo prazo. Além do cansaço mental por toda a situação pandemica, a culpa se fazia presente, dizendo; o tempo está passando e você não está fazendo nada de útil.

Enquanto eu tentava apenas sobreviver a ansiedade que crescia, via a pressão de produzir, de fazer coisas uteis a mim e a sociedade. Mas o que eu sentia era a angústia de não conseguir. Por noites e noites, fui pra cama antes das 21 horas pra assistir algum programa maçante ou ler o que estivesse na cabeceira, aliviada por ter chegado ao final de mais um dia.

E cá estamos novamente, agora em lockdown, com mais restrições do que no início da pandemia. já estou em home office há 3 semanas, saindo apenas para o que for absolutamente essencial. O medo está maior do que antes, o cansaço mental está mais forte, talvez seja por estarmos aguentando há tanto tempo toda essa loucura que parece não ter fim.

Mas, sem querer parecer clichê, nesse período aprendi algo que acredito ser muito preciso; o ato cuidado deve estar acima de tudo e temos que respeitar nossos limites. me sinto exausta para produzir mais do que o necessário agora.

Não vou fazer nenhum curso, nenhuma atividade produtiva na visão da sociedade. Não me sinto em condições agora e tudo bem. Já não me culpo mais por isso. A prioridade é manter a sanidade mental, cada um do seu jeito. Precisamos aguentar firmes. Vai passar. 

Texto por Aline Rollo.

2 Comentários

  1. Muito bom Aline, sinto exatamente a mesma coisa, chega uma hora q não faz sentido mesmo, oq tem me ajudado são caminhadas diárias no horário permitido, tem me feito muito bem. Beijão e parabéns pela matéria! 😘

  2. Nossa! Conversei exatamente ontem com uma amiga sobre essa vontade de não fazer nada q se abateu sobre nós. Um cansaço de tudo isso e a luta pra afastar a culpa por não produzir. Mas realmente o importante é parar de se cobrar e cuidar de nossa sanidade, o q já é muito diante dessa realidade tão cruel q vivenciamos. Aline: precisa como sempre💕

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