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Priorize a sua saúde mental

O número de pessoas que abandonam o tratamento psiquiátrico é alarmante: De acordo com a Organização Mundial de Saúde, 45% dos pacientes desistem no meio do caminho.

Essa coluna foi criada pelo Rafa com o objetivo de levar reflexão sobre a importância do autoconhecimento, com textos leves e inspiradores. Hoje, peço licença ao Rafa e aos leitores para ser um pouco mais “pesada”, porque uma situação extremamente recorrente precisa ser discutida: a interrupção brusca e voluntária dos tratamentos psiquiátricos.

Há cerca de 6 anos, resolvi abrir o jogo sobre meus fantasmas. Durante uma crise de ansiedade, escrevi meu primeiro texto sobre o assunto, esperando que pudesse ajudar pessoas com os mesmos problemas que o meu. Desde então, a depressão e transtornos de ansiedade deixaram de ser um tabu pra mim, e passei a ter mais e mais contato com outros pacientes, e entendendo que temos uma doença, que precisa ser tratada como outra qualquer.

O número de pessoas que abandonam o tratamento psiquiátrico (com medicamentos antidepressivos, principalmente) é alarmante: De acordo com a Organização Mundial de Saúde, 45% dos pacientes desistem no meio do caminho. Escuto diariamente relatos de pacientes que relutam em serem medicados, ou, ao primeiro sinal de melhora, dispensam o remédio por motivos diversos. Críticas da sociedade, julgamentos e efeitos colaterais são os argumentos mais presentes, e isso me assusta demais.

Existem vários graus de depressão e transtornos de ansiedade. Quando o indivíduo tem sua vida pessoal e profissional prejudicada, e os sintomas passam a aparecer com frequência, é hora de procurar um médico. Somente um profissional deve direcionar o tratamento, que pode ser mais leve, com medicação natural e psicoterapia, ou mais intenso, com a utilização de medicamentos controlados (o antidepressivo é um deles).

Geralmente, o tratamento dura de 6 meses a um ano. Esses remédios levam tempo para se adaptar ao organismo, geralmente de uma semana a 20 dias. Nesse período, podem surgir efeitos colaterais complicados, mas que desaparecem logo após o estágio de adaptação. Se não desaparecerem, o médico deve ser informado imediatamente, assim como alguém que se trata de hipertensão arterial e não se acostuma com a medicação. Simples assim.

Interromper o tratamento de forma brusca pode gerar um circulo vicioso de recaídas. Seu organismo, que já está habituado com a “ordem” que os remédios proporcionam aos hormônios e enzimas desregulados, entra em colapso ao perceber a falta do medicamento. E uma crise grave pode se instalar, fazendo com que o tratamento se torne mais penoso, e, mais grave ainda, que a ideia de incapacidade e suicídio apareçam.

Na coluna de hoje, faço dois apelos.

1: Se você tem sintomas de depressão e ansiedade fora de controle, procure ajuda. São doenças sérias, que precisam de tratamento, e você não é fraco por aceitar isso. Você é forte o suficiente para enfrentar um mundo inteiro em nome da sua saúde mental. Faça o que for preciso, mas procure suporte.

2: Em hipótese alguma, interrompa um tratamento psiquiátrico (ou qualquer tratamento, que seja). Os efeitos colaterais estão difíceis de suportar? Volte ao médico e informe isso imediatamente. O medo de “viciar” na medicação está te deixando preocupado? Não é vício, é seu organismo pedindo socorro para poder funcionar de maneira satisfatória. E apenas um profissional pode indicar o remédio correto, a dosagem e a maneira de tomar. Seguindo as ordens médicas, buscando a terapia e formas alternativas de tratamento, a qualidade de vida chegará.

Não ignore isso. Não se autodestrua em detrimento de ideias pré-concebidas e julgamentos sociais. O maior ato de amor a si mesmo a às pessoas queridas a sua volta é cuidar de sua saúde mental. Assim como o coração, pulmões, rins, seu cérebro também precisa de cuidados. Não se compare aos outros (mas meu vizinho abandonou essas drogas e está ótimo!), cada indivíduo é único e tem suas particularidades.

Aline Rollo.

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